OEA diz que 1º turno foi pacífico e que resultados conferem com dados dos observadores
O relatório preliminar, divulgado na terça-feira (6), registra que todas as 517.179 seções abriram e que a pausa no painel de resultados não afetou a totalização dos votos.

O relatório da OEA sobre a eleição no Brasil, divulgado na terça-feira, 6 de outubro de 2026, descreve o 1º turno como uma jornada cívica e pacífica. A Missão de Observação Eleitoral da Organização dos Estados Americanos acompanhou a votação de domingo (4) com 91 observadores de 23 nacionalidades.
O documento é preliminar. A missão é chefiada por José Miguel Insulza, ex-secretário-geral da OEA e ex-ministro das Relações Exteriores do Chile. Ela voltará ao país para o 2º turno, em 25 de outubro.
Missões internacionais independentes publicam relatórios com metodologia e financiamento conhecidos. É a quinta vez que a OEA observa uma eleição no Brasil, segundo o próprio relatório.
O relatório foi divulgado a 19 dias do 2º turno, que vai decidir a Presidência. Disputam Flávio Bolsonaro (PL), com 47,03% dos votos válidos no 1º turno, e Lula (PT), com 45,16%, segundo o TSE. O relatório lista sete unidades da federação com 2º turno para governador; no Rio de Janeiro, a disputa depende de julgamento marcado no TSE para quinta-feira (8).
O que os observadores viram no domingo
No dia da eleição, a missão visitou 831 seções em 371 locais de votação, no Distrito Federal e em 21 estados. Também acompanhou a votação em Miami, Nova York, Washington, Lisboa, Londres e Buenos Aires.
Segundo a OEA, 100% das 517.179 seções instaladas no Brasil e no exterior abriram. Até as 18h, 1.861 urnas foram substituídas, o equivalente a 0,34% do total. Nenhuma seção do país precisou votar em cédula de papel, de acordo com dados do TSE citados no relatório.
Os observadores registraram filas longas em muitos locais. O relatório atribui as filas ao aumento de eleitores em algumas seções, ao tempo para votar e à demora no reconhecimento da digital. Os temporais cortaram a luz em cidades do Paraná, do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e de São Paulo. Nesses locais, as urnas funcionaram com bateria até a energia voltar.
A pausa no painel de resultados
O relatório trata da interrupção na divulgação dos votos para presidente, pouco depois das 19h de domingo. Segundo a OEA, o portal parou de atualizar quando 64,81% das seções estavam contabilizadas, mas a totalização seguiu funcionando, porque os sistemas de totalização e de divulgação são separados. A missão classificou essa separação como medida de segurança e boa prática.
Os engenheiros da missão que acompanharam a divulgação observaram que a falha não comprometeu a totalização dos votos, segundo o documento. O painel chegou a 100% às 2h58 de segunda-feira (5).
Em nota na terça-feira (6), o TSE informou que uma contenção no processamento de dados paralisou o módulo que gera os arquivos da visualização "Brasil". A geração foi restabelecida às 20h04. Segundo o tribunal, a falha atingiu só a divulgação na internet, sem interromper a apuração nem a totalização dos votos.
Avanços apontados pela missão
A OEA destacou que o cadastro biométrico chegou a 89% do eleitorado. São 15 pontos percentuais acima das eleições gerais de 2022 e 7 pontos acima das municipais de 2024. Também citou a ampliação dos serviços pela internet, no Autoatendimento Eleitoral e no aplicativo e-Título.
Sobre a urna eletrônica, o relatório registrou um número inédito de pesquisadores e especialistas no Teste Público de Segurança. Também citou a divulgação dos testes de integridade feitos no dia da votação. A missão informou ter acompanhado a verificação pública de que o software das urnas era o mesmo auditado e lacrado antes da eleição.
A participação foi de 78,92% do eleitorado, ante 79,05% no 1º turno de 2022, segundo os dados citados pela OEA. Ao todo, 158.745.502 eleitores estavam aptos a votar para 1.790 cargos.
Pontos de atenção e recomendações para o 2º turno
A missão registrou que a campanha ocorreu em clima de tensão e polarização, com muitas ações na Justiça. Também apontou narrativas de desinformação para gerar desconfiança sobre a urna eletrônica.
Para o 2º turno, a OEA fez duas recomendações principais. A primeira é a realização de debates na TV entre os candidatos, já que houve um único debate presidencial televisionado no 1º turno, em 23 de agosto. A segunda é que os participantes do processo tenham a máxima segurança jurídica para conduzir as campanhas.
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- Depois da eleiçãoA OEA vai publicar um relatório final, com recomendações para o sistema eleitoral brasileiro.
Os números completos do 1º turno, por estado e por cidade, estão na página de resultados das eleições 2026.
Perguntas frequentes
O que a OEA disse sobre a eleição no Brasil?
No relatório preliminar de 6 de outubro, a missão da OEA descreveu o 1º turno como uma jornada cívica e pacífica, destacou a capacidade técnica e logística da Justiça Eleitoral e disse que os resultados foram consistentes com os dados coletados por seus observadores.
Por que o resultado do TSE parou de atualizar no domingo?
Segundo o TSE, uma contenção no processamento de dados paralisou o módulo que gera os arquivos de divulgação da visualização Brasil quando 64,81% dos dados da eleição para presidente estavam divulgados. A geração foi restabelecida às 20h04, e a apuração e a totalização não foram interrompidas.
A OEA vai observar o segundo turno?
Sim. A missão informou que voltará ao Brasil para acompanhar o 2º turno, marcado para 25 de outubro de 2026.
Quantos observadores a OEA mandou ao Brasil?
Foram 91 observadores, 48 mulheres e 43 homens, de 23 nacionalidades, em 21 estados, no Distrito Federal e em seis cidades do exterior.
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