RS registra 54 feminicídios até agosto; saiba como pedir medida protetiva pelo celular
O número é 3,6% menor que o do mesmo período de 2025, segundo a Secretaria da Segurança Pública. Porto Alegre concentra 11 casos, e novas mortes registradas no início de outubro estão sob investigação da Polícia Civil.

Feminicídio no RS: o Rio Grande do Sul registrou 54 feminicídios de janeiro a agosto de 2026, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP) do estado. No mesmo período de 2025, foram 56. Feminicídio é o assassinato de uma mulher por ser mulher, em geral pelo companheiro ou ex-companheiro.
A Polícia Civil investiga novas mortes de mulheres registradas entre o domingo (4) e a segunda-feira (5) em cidades gaúchas. Em Caxias do Sul, na Serra, dois homens foram presos em flagrante, e o caso está com a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher da cidade. Os casos de setembro e outubro ainda não entraram na estatística oficial.
A maioria das mulheres agredidas não chega a denunciar. Em abril de 2025, o então chefe de Polícia do RS, delegado Fernando Sodré, disse que 96% das vítimas não denunciam os agressores, sobretudo por medo. Por isso, a polícia insiste no registro da ocorrência e no pedido de medida protetiva o quanto antes.
No RS, esse pedido pode ser feito pelo celular, sem ir à delegacia. Se você ou alguém que você conhece está em perigo agora, ligue 190. Para orientação e denúncia, ligue 180.
Os números de 2026, mês a mês
Janeiro foi o mês com mais casos no estado, segundo a SSP. Depois de cair no meio do ano, o número voltou a subir em agosto.
Fonte: SSP-RS, dados atualizados em 4 de setembro de 2026
Os outros crimes contra mulheres acompanhados pela secretaria também tiveram queda nos oito primeiros meses do ano. O Ouviram comparou os dados de janeiro a agosto de 2026 com o mesmo período de 2025.
| Crime contra a mulher no RS | Jan-ago 2025 | Jan-ago 2026 | Variação |
|---|---|---|---|
| Feminicídio consumado | 56 | 54 | -3,6% |
| Tentativa de feminicídio | 188 | 159 | -15,4% |
| Estupro | 1.648 | 1.311 | -20,4% |
| Lesão corporal | 11.912 | 10.932 | -8,2% |
| Ameaça | 21.233 | 20.282 | -4,5% |
Como calculamos: somamos os registros mensais de janeiro a agosto das planilhas de 2025 e 2026 da SSP-RS, ambas atualizadas em 4 de setembro de 2026. A secretaria avisa que os dados podem mudar com o avanço das investigações. Em todo o ano de 2025, o RS teve 80 feminicídios e 263 tentativas.
Onde estão os casos
Porto Alegre registrou 11 dos 54 feminicídios do ano, segundo a SSP. Sapucaia do Sul teve três, e Nova Prata, Novo Hamburgo, Parobé, Rio Grande e Viamão, dois cada. Ao todo, 37 dos 497 municípios gaúchos tiveram ao menos um caso entre janeiro e agosto.
A planilha completa, com os números de cada cidade e de cada tipo de crime, está na página de indicadores de violência contra a mulher da SSP-RS.
Como pedir medida protetiva pelo celular no RS
A ferramenta foi lançada em abril de 2025 pela SSP e pela Polícia Civil e vale para os 497 municípios do estado. Antes, o pedido só podia ser feito na delegacia.
- OndeNo site da Delegacia Online da Polícia Civil do RS, pelo celular ou pelo computador.
- AcessoLogin com a conta gov.br, a mesma usada em outros serviços públicos.
- O que dá para pedirAfastamento do agressor da casa, proibição de contato e de aproximação da vítima e da família, proibição de frequentar certos lugares, restrição de armas, suspensão de visitas a filhos menores e pensão alimentícia.
- PrazoO juiz tem até 48 horas para decidir, como prevê a Lei Maria da Penha. A medida só vale depois da decisão.
- DepoisCom a medida concedida, a Justiça intima o agressor. Quando o juiz determina acompanhamento policial, a Patrulha Maria da Penha, da Brigada Militar, fiscaliza o cumprimento até o fim do prazo da medida.
Quem preferir atendimento presencial pode ir a qualquer delegacia de polícia ou a uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher. Em todo o país, o Ligue 180, do Ministério das Mulheres, é gratuito e funciona 24 horas, todos os dias.
O que está sendo feito
Em janeiro, a Polícia Civil fez uma operação de 24 horas contra a violência doméstica em 53 cidades gaúchas e prendeu 29 suspeitos de agressão, segundo a SSP. Na ocasião, falou a secretária-adjunta da Segurança Pública, Adriana da Costa. Ela disse que a Polícia Civil e a Brigada Militar, com a Patrulha Maria da Penha, estão preparadas para acompanhar os casos.
A Patrulha Maria da Penha, da Brigada Militar, existe desde 2012. Em 2025, atendeu 31.232 vítimas, fez 70.561 visitas de fiscalização e prendeu 242 pessoas por descumprir medidas protetivas, segundo a SSP.
"O trabalho é repressivo e preventivo", afirmou o diretor do Departamento de Proteção a Grupos Vulneráveis da Polícia Civil, delegado Juliano Ferreira, na apresentação do balanço da operação. Ele disse que os policiais que atendem as vítimas serão cada vez mais preparados para esse atendimento.
A SSP-RS atualiza a planilha de violência contra a mulher todo mês; os números de setembro devem entrar na próxima atualização. Os casos do início de outubro seguem sob investigação da Polícia Civil.
Se você precisa de ajuda: em perigo imediato, 190; para orientação, 180 ou WhatsApp (61) 9610-0180. Outros direitos e benefícios para quem está em situação de vulnerabilidade estão no guia benefícios do governo: quem tem direito.
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Perguntas frequentes
Quantos feminicídios o RS teve em 2026?
De janeiro a agosto de 2026, foram 54 feminicídios consumados e 159 tentativas, segundo a Secretaria da Segurança Pública do RS. Os dados de setembro ainda não foram publicados.
Como pedir medida protetiva online no RS?
Entre no site da Delegacia Online da Polícia Civil, clique em Delegacia de Polícia Online da Mulher e faça login com a conta gov.br. É possível registrar a ocorrência e pedir a medida protetiva no mesmo formulário.
Quanto tempo demora para sair a medida protetiva?
A Lei Maria da Penha dá ao juiz até 48 horas para decidir, a partir do pedido. A medida só passa a valer depois da decisão judicial.
O Ligue 180 é de graça?
Sim. A ligação é gratuita e o serviço funciona 24 horas por dia, todos os dias, segundo o Ministério das Mulheres. Também atende pelo WhatsApp (61) 9610-0180 e pelo e-mail central180@mulheres.gov.br.
Qual a diferença entre o 190 e o 180?
O 190 chama a Brigada Militar e deve ser usado em situação de perigo imediato. O 180 orienta, recebe denúncias e encaminha a mulher para a rede de proteção.
O Ouviram confere cada dado em fontes oficiais e separa informação de opinião. Como trabalhamos · Achou um erro? Avise a redação








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